Dizimo

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quinta-feira, 28 de julho de 2016

Papa convida poloneses a olhar com esperança o futuro

O papa Francisco chegou à Polônia na quarta-feira, 27, para a viagem apostólica por ocasião da 31ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Após ser recebido no aeroporto, Francisco dirigiu-se ao Castelo de Wawel, onde encontrou-se com as autoridades, representantes da sociedade civil e o corpo diplomático.

Na oportunidade, o papa saudou e agradeceu o presidente polonês, Andrzej Duda, pela acolhida e manifestou-se contente em começar a primeira visita à Europa Centro-Oriental pela Polônia, terra do idealizador e promotor das JMJ, São João Paulo II.

Memória

Ao considerar a memória como característica do povo polaco, Francisco lembrou do papa polonês, São João Paulo II, que “quando falava dos povos, partia da sua história procurando fazer ressaltar os seus tesouros de humanidade e espiritualidade”. 
Francisco explicou que há dois tipos de memória na vida diária de cada indivíduo e também da sociedade: a boa e a má, a positiva e a negativa. “A memória boa é aquela que a Bíblia nos mostra no Magnificat, o cântico de Maria, que louva o Senhor e a sua obra de salvação. Ao contrário, a memória negativa é aquela que mantém o olhar da mente e do coração obsessivamente fixo no mal, a começar pelo mal cometido pelos outros”, disse.
Ao citar os cinquenta anos do perdão mútuo entre os episcopados polaco e alemão e a declaração conjunta entre a Igreja Católica da Polônia e a Igreja Ortodoxa de Moscovo,  Francisco disse que os poloneses souberam fazer prevalecer a memória boa em sua história recente, pois os eventos desencadearam em processos positivos nos âmbitos social, político e cultural, além do religioso.
“Assim a nobre nação polaca mostra como se pode fazer crescer a memória boa e deixar para trás a má. Para isso, requer-se uma esperança e confiança firmes n'Aquele que guia os destinos dos povos, abre portas fechadas, transforma as dificuldades em oportunidades e cria novos cenários onde parecia impossível”, ressaltou.
De acordo com o papa, a consciência do caminho feito e a alegria pelas metas alcançadas dão força e serenidade para se enfrentar os desafios atuais. Tais desafios requerem a coragem da verdade e um compromisso ético constante, a fim de que os processos decisórios e operativos, bem como as relações humanas sejam sempre respeitosos da dignidade da pessoa. A tudo isso estão relacionadas atividades como a economia, a relação com o meio ambiente e a própria forma de gerir o complexo fenômeno migratório. 

Este último, continuou Francisco, “exige um suplemento de sabedoria e misericórdia, para superar os medos e produzir um bem maior”. O papa salientou que é preciso identificar as causas da emigração da Polônia, facilitando o regresso daqueles que assim o desejarem. Ao mesmo tempo, propôs que “é preciso disponibilidade para acolher as pessoas que fogem das guerras e da fome”. 
Francisco também destacou que devem ser estimuladas “colaborações e sinergias em nível internacional a fim de se encontrar soluções para os conflitos e as guerras, que forçam tantas pessoas a deixar as suas casas e a sua pátria”.

“À luz da sua história milenária, convido a nação polaca a olhar com esperança o futuro e as questões que têm de enfrentar. Esta atitude favorece um clima de respeito entre todas as componentes da sociedade e um diálogo construtivo entre as diferentes posições; além disso cria as melhores condições para um crescimento civil, econômico e até demográfico, alentando a confiança de oferecer uma vida boa aos próprios filhos”, disse.

Neste ambiente, Francisco frisou a eficácia das políticas sociais em favor da família e da proteção e acolhimento da vida. “Que Nossa Senhora de Częstochowa abençoe e proteja a Polônia!”, concluiu.

Encontro com os bispos

Na catedral de Cracóvia, Francisco teve um momento com os bispos da Polônia, ocasião em que rezou com os prelados e respondeu a algumas perguntas. O papa pediu uma oração pelo presidente do Pontifício Conselho para os Agentes de Saúde, o arcebispo polonês Zygmunt Zymowski, que morreu no dia 12 de julho. Os bispos rezaram também pelo cardeal Franciszek Macharski, imediato sucessor de Karol Wojtyla como arcebispo de Cracóvia e que atualmente está internado num hospital da cidade. 
Secularização, paróquias e refugiados foram os temas abordados nas perguntas.
Sobre a secularização na Polônia, Francisco disse que o “remédio” para esta situação é estar em meio ao povo. Proximidade é também o ingrediente fundamental do relacionamento dos bispos com os sacerdotes. Quanto aos jovens, ressaltou a importância dos avós para a transmissão da fé. Francisco falou também da misericórdia e de aplicá-la para combater a “idolatria do dinheiro”.
Uma pergunta dirigida ao papa questionava a “validade das paróquias”. Para Francisco, a paróquia é sempre insubstituível. “Inclusive os movimentos religiosos têm o seu valor a partir das paróquias, pois elas permanecem a casa do povo de Deus”, disse.
A última pergunta se referia aos refugiados. Francisco disse que não há uma fórmula a ser aplicada de modo universal: depende do país, de suas possibilidades e de sua cultura. O importante é estar aberto e ser acolhedor – um princípio cristão.

Jovens 

Depois de deixar a Catedral de Cracóvia, o Papa ainda participou de uma festa dos jovens italianos reunidos na esplanada diante do Santuário da Misericórdia. Conectado por meio de vídeo, Francisco respondeu a perguntas dos peregrinos.

 Com informações da Rádio Vaticano e fotos da ANSA e da Reuters

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